Veja e o legado da Abril

68 anos de jornalismo. Agora a Editora Abril passa para outra mão, deixando um legado de controvérsias e críticas, sobretudo dos progressistas, que liam nas publicações da empresa um posicionamento ideológico, de defesa do neoliberalismo e uma aproximação subserviente com tudo que vem dos grandes centros comerciais.

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Imagem publicação Folha de S. Paulo, Mastrangelo Reino/Folhapress

O principal veículo da empresa, a Revista Veja, manteve-se com grande importância no mundo político, com influência no Congresso Nacional e executivo federal ao longo dos anos, desde os governo militares. Com sua posição de extrema direita, ironizou importantes figuras brasileiras, salvaguardando outras, de sua visão de mundo, como protagonistas de um Brasil de poucos milionários, merecedores de destaque nas suas publicações.

Com uma dívida R$ 1,6 bilhão, a empresa de comunicação da família Civita, segue em frente, porém não mais no comando dos italianos que radicaram no Brasil e inicialmente investiram na reprodução de personagens da Walt Disney. O sonho da família foi transformar o Brasil em uma Europa, com seus costumes e política. Pelo que se vê não deu certo.

Ironia do destino

A saída da família se dá exatamente quando o Brasil, de fato, viverá na gestão de um governo que sempre defendeu, de economia neoliberal e com propostas que aproximam os brasileiros dos granes centros comerciais. Com vigor, tendo os Estados Unidos como o modelo perfeito de nação.

No que isso vai dar? Aguardar. Os sinais parecem nebulosos para a política nacional – pensada por Veja/Abril. Para o desenho do próximo ano, apontando para dias difíceis para grande parte dos brasileiros, enquanto que outros, uma minoria de proprietários de grandes negócios, podem aumentar riquezas e participações no sistema público do maior país da América Latina.

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Justiça em presepadas

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nodebate – A medida tomada por Marco Aurélio Mello, do STF, mais uma vez mexeu com a política brasileira, diante de um cenário de tensão política. Ao avaliar improcedente a prisão de segunda instância pela justiça brasileira, sem se chegar ao final de um processo em julgamento, levou instabilidade institucional, para uma já frágil representação social.

Seria de esperar que a mídia fosse sair a campo para criticar a medida do ministro do Supremo, entendendo se tratar de uma postura unilateral com viés ideológico, de livrar Lula da Silva da prisão, até que ocorra o trânsito em julgado, quando não será possível mais recursos judiciais. Na realidade, se há aqueles que defendem a prisão, outros tantos montaram batalha para manter o ex-presidente fora do cenário político.

O jornal Nacional fala em milhares de presos soltos com a medida, como se número fosse uma questão de expressão lógica, sem, contudo, apresentar as fontes verossímeis. A rigor, o jornalismo tem uma grande alegria de manipular dados, como se fossem apenas uma sentença exata, sem subjetividades ou prestidigitação.

A Folha de S. Paulo, para citar mais um veículo, afirma em editorial se tratar de uma “presepada” de Melo. No meio das disputas, que evidentemente vai virando uma novela com exageros, a defesa institucional dos interesses mercadológicos e neoliberalismo, que agrada desde partes da classe média e enfaticamente os milionários e, por isso, conservadores.

Afinal, qual razão da preocupação com a saída de Lula da prisão? Será que o político de Caetés, no Pernambuco, realmente é um personagem que oferece algum risco para a ordem social?

O parece haver de fato é um pavor imenso com lideranças sociais, capazes de dialogar com a sociedade – leia-se, os economicamente marginalizados do sistema financeiro – no papel oposto à extrema direita.

No final, pura impressão, o que está em jogo nem é mesmo o governo, seja qual for, mas a proposta econômica, que deve seguir um roteiro de privatização e abertura com o mundo globalizado, deixando em segundo plano costumes, valores e tradições – porque não dizer meio ambiente, pobreza, injustiça social, renda? -, com redução de salários e aumento de produtividade e lucratividade para o mitológico mercado.

Esquerda e direita para hegemonia de grupo econômico significam apenas como se manter status quo, com atenção no social, para a ordem e progresso da pirâmide de poder, com muito dinheiro e distante da pobreza, que oferece risco, com movimentos bárbaros.

Estratégias e propaganda do novo governo

nodebate – O elogio de Temer a Bolsonaro, conforme publicação do Jornal Folha de S. Paulo,  pode levar dúvidas à população, diante de sua impopularidade e de um governo pouco eficiente no trato com assuntos ligados, sobretudo, às famílias de menor renda.

A começar de aprovação de medidas sem apoio social, como a PEC do teto e mudanças nos direitos dos trabalhadores, além de tentativa frustrada de alteração na previdência.

A analisar a afirmação de Temer, se faz referência ao seu slogan “Ordem e Progresso”, que também parece ser o lema do novo governo, o qual sinaliza aprofundar a visão política conservadora e de extrema direita.

Pelo que parece, Bolsonaro tem motivos para comemorar o apoio de Temer, com representação política brasileira, depois de décadas no poder. No entanto, o novo governo formalizará sua amizade impedindo que a justiça leve à frente denúncias contra o Temer e, porventura, aliados políticos.

Pelo que parece, Bolsonaro tem motivos para comemorar o apoio de Temer, com representação política brasileira, depois de décadas no poder. No entanto, o novo governo formalizará sua amizade impedindo que a justiça leve à frente denúncias contra o Temer e, porventura, aliados políticos.

Truque conhecido

O vice-presidente do novo governo, Hamilton Mourão, assume papel de moderador de Jair Bolsonaro, quando o assunto é dialogar com grupos que recebem críticas midiáticas do capitão.

O vice-presidente do novo governo, Hamilton Mourão, assume papel de moderador de Jair Bolsonaro, quando o assunto é dialogar com grupos que recebem críticas midiáticas do capitão.

A próxima tarefa do Vice apaziguador é acalmar os chineses, que receberam frases de efeitos do candidato durante a campanha eleitoral, como o país predador comercial do Brasil.

No mesmo discurso defende a aproximação com o capitalismo dos Estados Unidos, com envio de filho ao país de Trump, para consolidar apoio, sinalizando subserviência à Casa Branca.

Outra missão de Mourão é sentar com os países muçulmanos, que estão contrariados com o discurso do novo governo de aproximação com Israel, seguindo a política do país do Tio Sam.

A estratégia do “morde e assopra” pode ser conhecida dos não-alinhados à política internacional de Bolsonaro, o que pode complicar a batalha do vice e do capitão brasileiros.

Pessoas excluídas da economia

nodebate – Com os coletes amarelos nas ruas, o presidente francês Emmanuel Macron, disse que vai aumentar o salário mínimo,hoje fixado em 1.500 euros (R$ 6.500), para 100 euros (R$ 445). Um mínimo desses para os brasileiros seria um luxo formidável e talvez justo.

Na realidade o neoliberal Macron, de direita – não de centro-direita como quis ser – não consegue falar a língua dos franceses, que o chamam de”presidente dos ricos”. A situação por lá não é boa, e repete a crise imensurável e sem perspectiva da Argentina de Mauricio Macri, outro neoliberal de carteirinha.

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Como tudo cai no discurso do dinheiro, os jornais anunciam que os movimentos na França começam a apresentar prejuízos, como se tudo girasse em torno de uma economia dura, sem a presença das pessoas.

No Brasil de Guedes e o pouco iniciado em economia, Bolsonaro, a realidade poderá seguir esta trajetória, de avançar a economia, desde que a população pague o preço, no final.

Excluir pessoas em uma economia magra para se chegar ao nível internacional pode ser assustador. Nesse sentido, pode se avaliar que aproximar o andar de cima (milionários) ao de baixo (marginalizados) seria uma saída, no mínimo honrosa para governos democráticos.

Política social da pobreza

A pobreza no Brasil, que só aumenta, atingindo 55 milhões de pessoas, 26,5% da população, que não consegue rendimentos de R$ 22 ao dia, deveria causar amplo desconforto entre os brasileiros, considerando se tratar de uma nação que continua a perder sua relação de sociedade. Em outras palavras, o que deveria ser social vai ganhando ares de apenas uma relação de poder e passividade. De modo simples, a concentração de renda é a lógica que propulsiona a condição de miséria. A rigor, a quantidade de famílias milionárias, por certo, não atinge 5% da nação no Brasil.

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A pobreza extrema, quando uma família não atinge R$ 140 mês por pessoa, chega aos 7,4%. O que seria uma condição degradante, viver numa sociedade em que a conta no banco é a régua que separa quem pode ser social ou não, sem as devidas condições para atingir objetivos, porém, decididos em consenso. No entanto, a miséria pode não ser somente uma questão de capacidade de um ser humano atingir objetivos definidos pela lógica financeira. Em outras palavras condição de indivíduos preguiçoso, incompetente, débil mentais, mas de uma realidade em que pode relacionar ao próprio sistema política, econômico, educacional, longe da visão de a pobreza vir desde o nascimento, impregnado na genética.

No Brasil ao longo da história política, com alguma alteração no tempo, a curva está voltada para baixo nos dias atuais. O trabalho se tornou sinônimo de subserviência ao mundo daqueles que são possuidores da atividade produtiva e nada e cada qual se protege como pode. Numa negociação por cima, entendeu-se que aqueles despossuído de bens, sejam com capacidade intelectual ou patrimonial, devem seguir a herança de subalterno, com salários aviltantes, o mínimo para a sobrevivência. Para uma sociedade moderna e liberal, conservadora e nacionalista para outros, no final se ordena como um lugar de composição de poder, somente, e de maneira aviltante, econômica.

O pior desta realidade é que parte dos brasileiros batem palmas. Em situação de desacordo com as normas econômicas de socializar riquezas, movimentos se formam na rua, com milhares de pessoas, carregando patos amarelos gigantes – a sua realidade simbólica, carregar o pato -, com mensagem clara de submissão, levando os grupos subalternos à crença da origem, da naturalidade da causa, de defender a manutenção da ordem da divisão econômicas. Uns comem bem e outros nem tanto, ou quase nada. Está tudo certo, coisa de inteligência da natureza.

Os meios de comunicação em muitos momentos romantizam a pobreza como se fosse uma lógica turística, em cenas de cinema, reproduzindo a política sistêmica, a exemplo, de afirmação de ministro em governo de triste figura, para quem muitos turistas (econômico) vêm ao Brasil para conhecer a vida nas favelas dos grandes centros.

O jornalismo joga a carga da desafortunada miséria na produção que aumenta minimamente a cada ano, como se bastasse imaginar que a pobreza está circunscrita a lógica imediata, resultando na relação com o produto interno bruto, a riqueza produzida no país ao longo do ano. A separação dos poderosos e não poderosos, remediados e milionários diz respeito a uma política social negociada pelo andar de cima, sem participação popular, com o esclarecimento devido de mundo e realidade do processo político.

Pobreza só aumenta

nodebate – Uma péssima notícia para qualquer governo, a pobreza no Brasil aumentou em 2018. O país contabilizou, conforme publicação do IBGE em mais de 2 milhões pessoas, agora abaixo da linha de pobreza, com renda inferior a R$ 406 mensais por pessoa.

Os brasileiros atentos observam que o governo de Michel Temer aumentou o buraco da miséria no Brasil, para o qual desce parte considerável da sociedade. O neoliberalismo, com abertura econômica, de modo subserviente as grandes nações, não melhora a qualidade de vida das pessoas. Parece se comprovar. Ao contrário.

Para o último ano, conforme o instituto, o número de brasileiros na marginalidade, com ganhos que não atendem às suas necessidades, chega a 54,8 milhões de pessoas.

 O Nordeste se destaca na linha dos mais pobres, o Sul na outra ponta. Brasília, a capital federal, onde está o Palácio do Planalto, no Centro-Oeste, a renda por pessoa chega à R$ 3.087 mensal. Destoando estrondosamente das regiões com maior índice de pobreza, na linha oposta está, portanto, a capital federal. Efetivamente, no entorno de Brasília, em Goiás, a realidade pode ser bem outra.

O pior nesta análise é o fato de saber que o governo conservador que entra, não sinaliza para resolver a diferença de renda, histórica no Brasil. Mas se olhar com detalhe vai entender que reproduz e aprofunda as propostas econômicas e sociais de Michel Temer.

O próprio peemedebista repetiu mais de uma vez que não haverá ruptura no modelo de governabilidade, entre a sua gestão e a de Bolsonaro. Nesta ordem está uma herança deixada por Temer, de abertura de privatização negociada, que permitirá ao novo governo retirar grandes empresas das mãos públicas, as quais passam para o controle da iniciativa privada.

Regulamentação econômica, com efeito na sociedade, do governo ganhará destaque nas mãos dos empresários, que podem levar para a arca de suas fortunas, empresas de eletricidade, petróleo e bancos.

A questão a observar. Até quando a pobreza se manterá em singular silêncio, depois de sentir, ainda que a timidamente, a melhoria na qualidade de vida, em décadas anteriores?

O governo de extrema-direita, aliado de primeira hora, com subserviência aos Estados Unidos, na preparação de sua administração, deixa à marginalidade discussão importante sobre cidadania, trabalho, meio ambiente e cultura.

O tempo, a fortuna e a miséria convivem na interdependência, de mãos dadas com governos da América Latina, sobretudo, no Brasil, o país do futuro.

Falando sério, de futebol e política

nodebate – Provável que toda criança que jogou bola nos campos de várzea, sabe como é uma partida de futebol. Quando se chega ao campo, com muita disposição, logo se percebe que será um dia de arrasar. Com análise simplificada das coisas, olha para todo lado e somente vê pernas de pau no campo adversário. Faço e aconteço, diz o ego inflamado, com chuteiras novas nas mãos.

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Imagem Correio Brasiliense – Palácio do Planalto, local de trabalho da presidência do Brasil, na capital federal, que terá novo dirigente a partir de janeiro 2019, quando tomar posse o conservador Jair Bolsonaro.

Quando a bola rola começa a se perceber que uma partida de futebol tem mais do que simplicidade infantil, e se observa que não há um único jogador em campo, mas um conjunto que toca a bola, numa sistema até complexo, do qual não é possível estar na defesa e no ataque, na lateral e meio de campo, ao mesmo tempo. Precisa-se confiar nos colegas que entendemos como os melhores, afinal ajudamos a forma o time com muita atenção.

Quando a bola rola começa a se perceber que uma partida de futebol tem mais do que simplicidade infantil, e se observa que não há um único jogador em campo, mas um conjunto que toca a bola, numa sistema até complexo, do qual não é possível estar na defesa e no ataque, na lateral e meio de campo, ao mesmo tempo. Precisa-se confiar nos colegas que entendemos como os melhores, afinal ajudamos a forma o time com muita atenção.

Como o adversário já estudou o nosso time também, deverá explorar nossos pontos francos ou incapacidade para jogar, de fato. Inicia a preocupação, necessária para atingir os objetivos que traçamos, sem avaliar os detalhes.


Quando o jogo aperta, começa-se a atirar pedras nos colegas de equipe e o mesmo tratamento recebe dos parceiros em campo. Você não está jogando bem! Mas um erro será retirado do time! E assim vai.

Quando sai o gol do adversário, esperado naquela altura, a coisa fica terrível e a torcida começa a perder a empolgação  inicial, apenas alguns esboçam reação. Aumentam os gritos dos torcedores adversários. Em tempos críticos, possível escutar olé, olé.

O futebol talvez seja mesmo um bom exemplo para a política, quando se joga em conjunto e depende de vários fatores internos e externos, fator campo e extracampo.

O novo governo do Brasil, liderado pelo conservador e extrema direita, Jair Bolsonaro, deveria evitar a percepção infantil do Brasil. Um país com muitas diferenças sociais e culturais, diversidades ideológicas e etnias. Ingenuidade imaginar que em campo apenas um esquema tático vence o jogo.

Os adversários também jogam, é bom lembrar, exigindo mudança de estratégia, muitas vezes improvisando, dialogando para entender sua experiência dos outros obtida após muitos jogos, ou mesmo as novidades que ainda não foram tentadas na prática, mas alguns jogadores vem experimentando, com resultados esperançosos.

Não se pode esquecer também da torcida, levando em conta o seu humor antes e na hora do jogo. Empurra os jogadores, mas pode gritar olé sem parar, criando constrangimentos e crises internas.

A rigor, treino não é jogo e jogo é jogo!

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