O petróleo ‘ainda’ é dos brasileiros

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nodebate – A saída de Pedro Parente da Petrobras não foi simplesmente uma mudança de rumo do governo Federal, mas solução de momento para a governabilidade de Michel Temer. Questionamentos emergem não somente de críticos ao modelo adotado pela estatal, de comercialização de combustível aos brasileiros com preço atrelado ao dólar.  Grupos políticos e setores do próprio mercado engrossam ataques, afirmando que não seria possível manter a empresa distribuindo resultados financeiros da maior instituição pública do país para as acionistas internacionais.

Os brasileiros sentiram no bolso, no último ano, aumento de 100% do preço do barril de petróleo, com aumentos sucessivos até chegar à bomba, sem qualquer intervenção do governo, com a política fora do lugar com mercado livre. Acreditar nas boas intenções do setor financeiro internacional é o mesmo que acreditar em Papai Noel, mula sem cabeças, ainda que esta última mereça nosso respeito em razão do folclore brasileiro.

Pode parece estranho o governo brasileiro, somente dar conta dos repasses dos lucros da estatal para o mercado sem alma e coração, depois de tanto tempo, mediante à uma grave crise de abastecimento em razão de protestos públicos. Se a questão for política, observa-se que a governabilidade do país está à deriva, sem qualquer comandante, ao sabor dos ventos internacionais.

No entanto, Michel Temer é velho de estrada e de Brasília na política do país, o que se leve a pensar em pressão de grupos econômicos que o mantém no poder, depois de empossado, a reboque de força da lei determinante, que segue, aparentemente, pela lógica do mercado livre. Com mais rigor, no Brasil atual, possível avaliar que a interpretação do Estado de Direito segue os números das bolsas de valores, a meritocracia e resultados financeiros.

A saída do presidente da Petrobras somente é o resultado da greve dos caminhoneiros e dos petroleiros – estes impedidos por determinação da justiça, num cenário que se repete no Brasil “democrático”. A população sinalizando, depois de cenário econômico de profunda crise, que tocar a economia brasileira aos moldes da política dos tucanos no Brasil não vai avante, com democracia as avessas, com política econômica fora do lugar.

O neoliberalismo na América Latina é uma forma indevida, para não dizer irresponsável, de jogar as riquezas nacionais nãos mãos de setores milionários internacionais, sem, contudo, distribuir qualquer resultado do patrimônio nacional com os próprios brasileiros.

A defesa dos principais veículos de comunicação da figura de Pedro Parente, com destaque para a Rede Globo, nesta sexta-feira (01) que dedicou cerca de 50% do Jornal Nacional para destacar os grandes feitos do presidente da estatal que pediu saída do governo – importante figura do grupo econômico do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). No final, sobressai a dúvida se não foi um acordo de cavalheiros entre Temer e Parente, para evitar uma exoneração.

As empresas de comunicação no país, em parte, continuam, desde a sua origem, pensando nas elites europeias e estadunidenses, vendo os brasileiros ignorantes e de segunda classe.

Em razão desta visão empresarial brasileira, o presidente Temer empossado poderá ter problemas com a saída de Parente. Os tucanos, com lastro no setor empresarial, podem se rebelar. Soma-se a isto, continuará sofrendo desgaste na falta de apoio popular, se considerado uma governabilidade que não obtém credibilidade e confiança da sociedade, como um todo.

Os próximos capítulos da política brasileira aguardam desdobramentos importantes, em ano eleitoral e com a sociedade enfrentando grave crise econômica e institucional.

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Apoio popular aos caminhoneiros

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nodebate – Em pesquisa por telefone, com resultado divulgado nesta quarta-feira (30), o Datafolha constata que 87% dos brasileiros apoiam a greve dos caminhoneiros no Brasil, que continua chegando a duas semanas de paralisações. A margem de erro de 3% para mais ou menos.

Está evidente que a população sente preocupação quanto aos resultados desta mobilização que diz respeito a estabilidade da economia do país, mas sabe também que o governo não tem boas intenções com a população como um todo, sentido os reflexos de uma economia centralizada em poucas empresas, com perda de direitos, sobretudo trabalhista e com intenções de alteração da previdência para atender interesses econômicos.

Desta forma, um dado que parece contraditório, mas é o ponto mais importante: 87% das pessoas ouvidas pelo Datafolha são contrárias o aumento de impostos para resolver a greve, por entender que serão os mais prejudicados, caso isso aconteça, como sinaliza a pesquisa.

Diante de uma desaprovação do governo Michel Temer, já sabida, e histórica no Brasil, de 77%, fica evidente que a desconfiança leva à crise, como grito de descontentamento com as medidas governamentais. As pessoas entrevistadas demonstram ter consciência de que pagarão a conta, no final das negociações com a categoria em greve, sem resultar em mudanças na estrutura da política. Por isso prefere o enfrentamento a sucumbir a sua proposta de arrocho econômica contra a maioria da população.

Os números parecem revelar, na percepção social, que no Brasil há mais concentração de renda neste modelo de Brasília. Ressaltando que riquezas brasileira escoa para interesses de uma elite nacional, e atendimento à setores financeiros internacionais, como vem sendo afirmado pelos defensores da mudança da política do combustível, diante de sistema financeiro estatal atrelado ao dólar. O fenômeno, diga-se, nem é novo no Brasil e sem solução.

O que se pode acreditar, portanto, é que, mesmo a greve dos caminhoneiros, apoiados em massa pela população, chegue ao fim deverá haver uma sociedade mobilizada contra a política econômica do atual governo. Os últimos meses de Temer em Brasília não parecem fáceis, com uma população em desacordo com este sistema político atual, o que pode gerar reflexos amplos para as eleições presidenciais

Não resta dúvida, de que, se o governo é impopular a visão sobre instituições do Estado pode não ser diferente, seguindo uma coerência lógica. Pois, o processo para levar o emedebista para o comando do Brasil foi traumático – para muitos um golpe de Estado -, merecendo a conivência do próprio poder judiciário brasileiro, especialmente de esfera superiores – a radicalização pode ser um efeito colateral desta crise do Estado de direito.

O coerente Temer

01/01/2015 – Brasilia,DF – O vice-presidente Michel Temer e a mulher, Marcela Temer, ao lado da presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de posse no Palácio do Planalto. Foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil

nodebate – Depois de tanta repetição decidimos parar de ler os comentaristas dos principais jornais, sobre política, nos dois últimos anos. Parecendo, com exceções, melodia de uma nota só: a defesa das instituições e do mercado, presumindo-se ser a voz da única democracia possível, definida pela justiça, que no final, serve aos propósitos do mercado econômico e não simplesmente ao país formado por pessoas.

Nestes dias de paralisações de caminhoneiros, com o caos estalado no Brasil, decidimos voltar a entender o discurso dos jornalistas com privilégio de comentaristas, de todos os dias, em alguns jornais, além de editoriais. Sem surpresa, a mudança de discurso se mostra reveladora, com críticas duras contra o presidente Michel Temer e seu governo. Fraco, incapaz, acabado, etc. Somente falta dizer que os seus ministros listados na justiça não deveriam estar no posto que ocupam em Brasília, finalmente.

Em algum momento é preciso ser coerente com a realidade, o presidente Michel Temer assumiu um papel político com heroísmo neoliberal e assegurado pelos donos do PIB nacional. Em outras palavras, sem popularidade o emedebista se mantém no comando de Brasília com apoio efetivo de grandes empresários, respondendo a um modelo concentrador de rendas, exigindo-se perdas de direitos dos trabalhadores, concentração de renda, que afoga na miséria os mais pobres.

A defesa de Michel Temer e seu governo deveriam ser a tônica do jornalismo que fez propaganda para aposse do emedebista e a sua permanência inequívoca no governo de modo ilegítimo diante daquilo que se caracterizou como golpe de Estado. O presidente passou e se ajustou heroicamente a instrumento para reformas impopulares que agradaram enormemente comentaristas e analistas políticos que se revezavam nas mídias. Além, evidentemente, de uma elite econômica nacional, com destaque para o agronegócio e progressistas conservadores.

Agora ninguém quer ser o pai da ideia, sua aproximação seria contagiosa, com visão negativa diante da população – que diga-se os candidatos de direita e ultradireita às eleições presidenciais, que ocorrem daqui a alguns meses,  afirmam sem demagogia, ser personagem de centro no espectro político. Falta pouco para assumirem posição na condição de centro-esquerda.

Neste sentido a democracia e a quem a conduz no universo política, parece servir apenas ao propósito, como uma ferramenta, que merece apreço enquanto faz o jogo como personagem em uma trama, que logo poderá ser substituído – uma ficção na realidade perversa. Concretizada para o cenário político pulamos para outro nome, ainda que este escolhido seja antagônico ao primeiro, agora descartado.

A democracia significa um modelo político ordenado por conveniência, parece ser possível dizer. Por certo, a justiça, a ordem, a ciência e progresso servem a este projeto de poder sem responsabilidade social, sem passar pelo crivo de uma composição ética e responsável que atenda uma coletividade. O que vale é o poder, eis o jogo.

Assim, parece estar a reboque, a educação, a religião a realidade.

Na impopularidade do governo, greve dos caminhoneiros continua

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nodebate – Para surpresa do governo, a greve dos caminhoneiros não terminou depois do anúncio de acordos. Num primeiro momento com atendimento de reivindicações postas na mesa, ainda no começo da conversa com lideranças da categoria. Agora com mais abertura de Michel Temer, cujo acerto com a categoria foi publicizado pelo próprio presidente empossado, usando a rede nacional, neste domingo.

Com o passar dos dias, com apoio popular, os motoristas entenderam que poderiam obter mais resultados, ficando modestos os seus pedidos de melhoria nos ganhos com redução dos altos custos cobrados pela chama liberdade de mercado, que somente beneficia a eterna elite econômica nacional e ainda os falcões internacionais.

A impopularidade do presente fica evidente nas manifestações, não pelos caminhoneiros somente, mas na sociedade como um todo, que mesmo sofrendo com a falta de produtos básicos como combustível nos postos, gás de cozinha, alimentos nos supermercados, medicamentos.

O apoio à greve, neste particular nem sempre mostrado pela mídia, se vê explícita pelo Brasil, nas rotinas das cidades, com buzinaços e entrega de alimentos e gêneros básicos para os grevistas, que agora, ao invés de conversas fechadas com a categoria, leva suas mensagens de WhatsApp à coletividade, que se tornou a proteção de sua luta por condições de trabalho.

Partidarização

Em meio a isso, surgem também um lado perigoso das manifestações, o uso político do movimento nas buscas heroicas para problemas seculares no país, que resulta em uma elite desesperada por riquezas particularizadas, apesar das dificuldades de grande parte da sociedade, que se transforma em mão de obra e nada mais, para ganhos aviltantes, de apenas uma casta.

No entanto, está nas redes sociais a voz de uma minoria oportunistas, reproduzindo grupos desta mesma elite, defendendo a volta de governo de exceção, cuja ditadura deixou marcas inesquecíveis de injustiça e descontrole das contas públicas, talvez muito pior do que a realidade que vivemos, neste exato momento – o que pode parecer impossível.

Não há dúvida que a proposta da greve vai se modificando, o que antes era somente dos caminhoneiros, que continua na disputa de forças com um governo já muito fragilizado, sitiado em Brasília, se ampliou com o apoio social.

Em ano eleitoral e a disputas de ideologias, grupos políticos aproveitam do movimento, que acabam cooptando manifestantes que usam os próprios caminhoneiros em greve e o movimento em si, para levarem mensagens que não são exatamente dos grevista, mas de corrente partidária conservadora, para a população de um modo geral, em ano eleitoral.

Não devemos crer é que os próprios militares, em parte da corporação, estejam aproveitando da situação para partidarizar o movimento em prol de candidato alinhado com a categoria ou mesmo incitando a defesa política de um Estado controlado pelas forças militares.

Governo e justiça

O movimento que emparedou o governo já era de esperar muito antes, pois havia um grito silencioso, mas forte contra Michel Temer e seu governo. Como há repúdio, que ainda não sabe bem a intensidade contra o próprio judiciário, que de alguma forma é visto como responsável pela condição que vive o Brasil atual, na composição de argumento jurídicos que salvaguarda um governo, que saiu de um golpe contra a democracia.

A sociedade, ao longo do tempo, vem percebendo que convive com governabilidade questionável, originário de com uma jogada de malvadeza, em apoio a interesses da reconhecida elite que quer controlar o Estado para se manter, secularmente, no uso dos recursos públicos. Desta forma, articular seu próprio bem-estar, ainda que questionado de tempo em tempo pela população nas ruas, em meio a muita tensão como agora.

Aguardar para ver no que vai dar um movimento nestas condições, que se amplia ao ponto de não conseguir chegar a um acordo com lideranças desacreditadas, diante da falta de justiça social como se revela existente no Brasil.

Em resumo, as mobilizações dos caminhoneiros e sociedade brasileira ocorrem em tempo de muita desconfiança institucional, sobretudo.

Política dos combustíveis

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Imagem jornal El País

nodebate – A paralisação dos caminhoneiros nestes dias, causando um caos na sociedade, é o resultado de conflitos na ordem do modelo político brasileiro, na atualidade. No debate, que não se apresenta de maneira evidente, está o modelo econômico que se quer adotar para o país.

Recentemente, a grita sobre o combustível foi da elite financeira, reproduzida pela mídia nacional, sobre a perda de recursos da Petrobras no tabelamento de preços do combustível por longo período (sem atrelar à política do petróleo internacional), no sentido de manter no país a inflação sob controle e reduzir os preços das mercadorias nos supermercados, considerando ser o Brasil uma nação que funciona sobre rodas, cujo projeto se faz uma herança de Juscelino Kubitschek, nos idos anos 50, com seu projeto modernizando de 50 anos em 5.

Os caminhoneiros, como todas as categorias brasileiras, não são homogêneos em sua formação, quando, neste momento de crise, disputam suas reivindicações com os donos de transportadoras, com boa relação com o governo de plantão, sobretudo aqueles que defendem o modelo mercadológico, com atenção a mais lucros.

No entanto, os pequenos proprietários de caminhos, por outro lado, que não conseguem acesso fácil à política econômica, convivem com a insegurança de perder quinhões de seus resultados do trabalho, com medidas impopulares de Brasília. Sobretudo, com aumento sucessivo do preço do petróleo para atender acionistas da Petrobras. A estatal brasileira cada vez mais sob a influência de grandes petroleiras internacionais, principalmente dos Estados Unidos, a quem Pedro Parente, na presidência da empresa pública, parece dizer representar, quando afirma nos jornais sua preocupação com os acionistas.

No final, com esta política de Michel Temer, que vive em sintonia com o setor financeiro e elite nacional, o desequilíbrio da política social vai se tornando o que estamos observando, um caos permanente.

O grito pela redução do preço do combustível não é somente dos caminhoneiros, mas da população em sua maioria, que não consegue melhorar renda, em função de um Estado que concentra riquezas. Os brasileiros observam a cada dia o aumento do preço do petróleo nas bombas de postos, os quais trabalham com a justiça do mercado livre para mais lucros.

Somente o salário que continua atrelado à política econômica de recessão, que, por isso, a cada aumento perde poder aquisitivo. Desta forma, não se trata de a população ser condescendente com o movimento, mas também é sua a reivindicação e preocupação para a sobrevivência.

O mais inusitado desta negociação entre caminhoneiros, governo e Petrobras é a decisão de Michel Temer de se comprometer rigorosamente devolver os recursos retirados de impostos cobrados pela estatal, na negociação com os caminhoneiros. Demonstrando, assim, novos tempos na política do Estado – diga-se que Temer age de modo desesperado diante da impopularidade em seus calcanhares, arrastando todo o governo para a urgência nas decisões que mais ainda agrava a crise, no país já no fundo do poço.

Como se nota, o poder do mercado se torna maior do que o da própria presidência do país, na tomada de decisões que dizem respeito à vida dos brasileiros. Talvez seja um ponto a ser visto com mais atenção.

 

O trabalho do Brasil

https://jornalnacao.com/wp-content/uploads/2017/11/carteira.jpgnodebate – Michel Temer, que representa politicamente um modelo social e econômico, demonstra cabalmente as dificuldades de levar o neoliberalismo adiante em países como Brasil. Embora haja o discurso de crise global, fato é que a cada medida do governo em beneficiar o setor empresarial, da alta society, deixa como efeito mais pobreza e desigualdade social.

Não seria sem razão que o representante no governo do modelo neoliberal segue com impopularidade, cujo apoio não atinge 1%, feito por aqueles que enxergam virtude no presidente empossado, contra mais de 90% que observam o contrário.

Com efeito desta política, como anuncia o Jornal conservador Paulista Folha de S. Paulo, “a taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui os desempregados, pessoas que gostariam de trabalhar mais e aqueles que desistiram de buscar emprego, bateu recorde no primeiro trimestre, chegando a 24,7%, informou nesta quinta (17) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).”

Segue o diário, “ao todo, são 27,7 milhões de pessoas nessas condições —maior contingente desde o início da série histórica, em 2012. Destes, 13,7 milhões procuraram emprego mas não encontraram.”

A grande dúvida que surge é de qual justiça estamos falando, quando se ouve e vê em vários meios de comunicação grupos conservadores defendendo projetos que sejam democráticos e justos? Os valores que membros de judiciário demonstram todos os dias como resultado de ações de relevância no campo político pontualmente, por vezes com parte do jogo político, deixa na obscuridade a injustiça que prevalece debaixo do tapete, querendo se esconder da visão da própria sociedade a sua marginalidade.

Por certo, as eleições deverão ser um tempo de posicionamento desta sociedade -maioria à margem da riqueza-, que não consegue sentar no banquete servido no meio político, jurídico e empresarial. Porém, como há sempre o jeitinho, não há garantias de que estratégias de poder centralizado não esteja vindo a galope.

A política em prol do trabalhador!

http://www.gruporeporter.com.br/thumb.php?img=img_noticias/152517410829.jpg&largura=362nodebate – O presidente Michel Temer, do histórico MDB, usou tempo presidencial em horário gratuito na televisão brasileira, em cadeia, nesta segunda-feira (30) para afirmar seu reconhecimento aos trabalhadores brasileiros, em referência a data comemorativa ao dia do trabalhador, que ocorre hoje. Sem a devida energia e carisma para a missão, apenas felicitou cada segmento da sociedade que no dia a dia constrói a nação brasileira. No entanto, trata-se apenas de discurso sem conteúdo que o glorifique, pois, pelo contrário, o presidente empossado mantém figurino de imposição de modelo político e econômico impopular.

Parece ter se tornado senso comum que Temer entrou para a governabilidade do país pelas portas dos fundos – embora uma questão que gera intrincado debate, quando se afirma que houve golpe contra a democracia, com impeachment da presidente eleita, Dilma Rousseff, do PT -, atendendo aos grupos econômicos de uma elite conservadora e patrimonialista com vista a aumentar a concentração de renda, com mão de obra mais barata para mais competição com o mercado externo.

O crescimento brasileiro estaria numa equação muito simples: reduzir custos com o trabalho para aumentar o quantitativo da produção para o avolumar do capital. O resultado não poderia ser pior, com aperto da classe média, redução do número de ricos e aumento da pobreza. Saúde e educação da classe trabalhadora deixadas às traças, bem como seus direitos de cidadãos. A segurança pública aprofunda ainda mais em crise, num país conhecido como entre os mais desiguais do mundo.

Se não bastasse a equação antissocial e antipopular, a reforma trabalhista acentuou ainda mais o desemprego, na casa dos 13 milhões de pessoas sem trabalho e renda, em um país explorado pelo capital, com peso do internacional, sobretudo, no que há de melhor, o agronegócio, com terras agricultáveis e fartas – que ainda assim, promove ampla derrubada de matas nativas, como se pode observar, como referência, na região amazônica brasileira. Não seria sem razão a tentativa do discurso da existência de uma ampla riqueza no campo, o Brasil como celeiro mundial.

Mesmo na aparência o discurso presidencial não corresponde à realidade, pois as pesquisas de institutos, que se mostram de confiança, apresentam Michel Temer com 1% de popularidade, caso venha a se manifestar pela reeleger ao cargo, o que seria legítimo. Em contrapartida, muito longe de qualquer pretensão que diga respeito ao desejo da sociedade, na sua maioria formada pelos trabalhadores, para quem dirige a palavra com retórica política.

Importante, no entanto, destacar que a impopularidade e o retrocesso brasileiro no setor social, não se pode dirigir-se exatamente na triste figura presidencial, mas aqueles que o mantém no poder, capazes de abastecer os meios de comunicação brasileiro com otimismos que não se materializam para apenas comoção imediatas, ou talvez nem isso, diante da realidade que não se modifica. Neste terreno perfilam, em partes, por grupos empresários, setor financeiro, agronegócio, empresas de comunicação e significativa constelação de intelectuais integrados.

 

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